22 de setembro de 2021

Criança vítima de maus-tratos é encontrada comendo fezes de cachorro

Uma das crianças resgatadas vítimas de maus-tratos em Barra de São Francisco foi encontrada por policiais militares comendo fezes de cachorro. A criança é autista e tem 4 anos de idade. As informações são da Folha Vitória.

Ela morava com outras três crianças, que também foram resgatadas, e com os pais, autuados em flagrante por maus-tratos, cárcere privado e lesão corporal. O casal recebeu alvará de soltura após audiência de custódia.


As crianças passaram por atendimento médico e foram levadas para um abrigo da cidade.

O casal terá que comparecer em Juízo para justificar suas atividades na última semana de cada mês, manter o endereço sempre atualizado e comparecer aos atos processuais, além de ficarem afastados das crianças até a decisão da Vara de Infância.

Pai de duas crianças quer guarda provisória

As duas crianças mais velhas de 12 e 10 anos são fruto de um relacionamento anterior da mãe, de quando ela morava em São Paulo. Ao saber do caso, o pai delas foi em busca de advogados para pleitear a guarda provisória das filhas.

De acordo com a advogada Valéria Silva, que representa o homem, a mãe sumiu há cerca de 7 anos quando os dois moravam juntos na cidade de Carapicuíba, em São Paulo.

Desde então, uma batalha judicial foi iniciada para que o pai conseguisse conviver com as filhas. O homem alega sofrer alienação parental por parte da ex-companheira, autuada em flagrante por maus-tratos.

Entenda o caso

O caso aconteceu no último dia 29 de agosto. A Polícia Militar (PM) foi acionada pelo Conselho Tutelar do município para fazer o acompanhamento até uma residência do bairro Irmãos Fernandes, após a denúncia de que um casal estaria mantendo crianças em condições sub-humanas e em cárcere privado.

No local, verificaram que havia muita sujeira e fezes de animais dentro da casa. As crianças informaram aos militares que estavam sem se alimentar há vários dias e que só ficavam dentro de casa.

Conforme consta no termo de audiência de custódia, um dos conselheiros relatou que as crianças aparentavam não tomar banho há muito tempo, estavam muito magras e com piolhos.

Relatou também que uma das crianças mais novas não conseguia andar de tanta fraqueza. Diante disso, foi prestado socorro médico às crianças, que depois foram levadas para um abrigo, e os pais conduzidos à delegacia do município.

A Polícia Civil (PC) informou que o caso segue sob investigação da Delegacia Regional de Barra de São Francisco, que realiza diligências e aguarda a chegada dos laudos periciais.

O Folha Vitória procurou o Ministério Público do Espírito Santo (MPES), mas ainda não obteve retorno. A reportagem não conseguiu localizar a defesa do casal autuado.

Escola: "Criança mal parava em pé de fraqueza"

A denúncia chegou ao Conselho Tutelar por meio da diretora da escola em que uma das crianças estuda. Ela teria feito contato com o pai da criança informando a necessidade de realizar uma prova de forma presencial.

De acordo com a diretora, o pai apresentou resistência, mas levou a criança para a escola depois de muita insistência. Ainda segundo a diretora, o pai ficou a todo momento ao lado da criança, que aparentava ter medo dele.

Ainda segundo o termo, os professores fizeram algumas perguntas e a criança apresentou algumas respostas prontas. Diante disso, os docentes conseguiram uma reunião reservada com a criança.

Durante o encontro, a diretora observou que a criança parecia estar sofrendo pressão psicológica e "mal parava em pé de fraqueza". Após isso, a diretora entrou em contato com o conselho.

Uma das conselheiras foi até a residência para tentar conversar com as crianças. Três delas foram levadas até a sede do conselho tutelar para serem ouvidas. Apenas a mais nova, que é autista, não foi levada naquele momento.

Fonte: 180 Graus

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