7 de abril de 2019

Meteoro explodiu na atmosfera com força de 10 bombas atômicas e ninguém viu


Você se lembra da rocha espacial que explodiu sobre a localidade russa de Chelyabinsk em 2013? O evento liberou uma quantidade de energia equivalente a 30 vezes a produzida pela detonação da bomba de Hiroshima, resultou em milhares de edificações danificadas e em alguns feridos leves em toda a região, e deu o que falar mundo afora. Pois um evento semelhante – embora menos potente – ocorreu em dezembro passado e ninguém sequer ficou sabendo até há alguns dias!

Foto: Reprodução

Trombadinha

Segundo Katy Evans, do site IFLScience!, o incidente se deu sobre as imediações da península de Kamchatka, no mar de Bering, e envolveu a explosão de um meteoro de apenas 10 metros de diâmetro. O evento provocou uma liberação de energia 10 vezes superior à liberada pela bomba de Hiroshima, mas, por sorte, como a coisa toda aconteceu em uma área bastante remota e pouco habitada, ninguém parece ter sido afetado pelo “estouro”.

Aliás, a descoberta de que a explosão tinha ocorrido só foi divulgada há alguns dias e ela só foi identificada graças a um sistema de monitoramento global de infrassons instalado na época da Guerra Fria para detectar – e vigiar – a ocorrência de testes nucleares secretos. Esse sistema continua em funcionamento até hoje e consiste em uma rede composta por 45 estações espalhadas em todo o planeta e que são capazes de registrar ondas sonoras que são fracas demais para serem percebidas por ouvidos humanos.

Entretanto, apesar de não sermos capazes de ouvi-las, essas ondas podem dar a volta por toda a Terra (às vezes mais de uma vez!) e viajam muito mais depressa e a distâncias muito maiores do que as ondas sonoras habituais. Com relação à rede de monitoramento – instalada pela Organização do Tratado de Proibição Completa dos Testes Nucleares (CTBTO) –, ela permite que a intensidade e localização dos eventos possam ser calculadas e, assim, os cientistas podem determinar se as ondas foram produzidas por um teste nuclear, quando se dão em lugares fixos, ou se elas foram provocadas por outra situação.

Segundo os dados obtidos pelos cientistas, a rocha espacial penetrou na atmosfera terrestre a uma velocidade de 32 quilômetros por segundo perto do meio-dia do dia 18 de dezembro, e explodiu a uns 25 quilômetros da superfície, liberando uma energia de impacto de 173 quilotons de TNT. Então, primeiro, militares norte-americanos registraram a explosão e repassaram as leituras da rede de monitoramento para o pessoal da NASA investigar. Mas foi Peter Brown, cientista da Universidade de Ontário Ocidental, no Canadá, quem publicou um estudo sobre a explosão da rocha espacial.

Segundo os pesquisadores envolvidos nos levantamentos, o nosso planeta é palco desse tipo de ocorrência com bastante frequência, mas como se trata de objetos celestes de pequenas dimensões, muitas vezes eles não chegam a ser detectados até que se desintegram na atmosfera ou colidem conosco.

A estimativa é de que algo em torno entre mil e 10 mil toneladas de material espacial caia no planeta diariamente e, por sorte, a grande maioria atinge áreas não habitadas do planeta. Por outro lado, ainda que se trate de rochas pequenas, o potencial de estragos em regiões densamente povoadas é grande e, por isso, cientistas de várias partes do mundo estão trabalhando em novas formas de monitoramento e no desenvolvimento de tecnologias que permitam catalogar também objetos de pequenas dimensões com órbitas próximas à da Terra.


Fonte: Mega Curioso

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