21 de maio de 2018

Saiba como perder a timidez para realizar fantasias sexuais



Você tem vontade de apimentar a relação, mas sente vergonha de dizer quais são suas fantasias? Não sofra mais calada! A psicóloga Elisabete Kuns, que trabalha diretamente com terapia de casais e sexualidade, afirma que muitas mulheres sentem vontade de brincar nas preliminares, vestir fantasias femininas para impressionar na hora H, ou até propor jogos adultos aos parceiros, mas acabam deixando a timidez falar mais alto e isso precisa ser mudado.

Embora seja natural ter certo receio, o importante é quebrar tabus e enfrentar a timidez para ter uma relação mais saudável. Elisabete acredita, inclusive, que o que atrapalha muitos casais a progredir neste sentido é o machismo. Ainda que não seja declarado, a especialista diz que o comportamento está enraizado na cultura dos brasileiros, e isso prejudica diretamente homens e mulheres nas relações sexuais.
“De um lado, as mulheres foram ensinadas a ignorar suas sensações e ficam envergonhadas, com medo de serem julgadas. Do outro lado, os homens também têm dificuldade nessa expressão de desejos, justamente por conta dessa crença que os coloca no ‘papel principal’, esquecendo que eles também podem sentir medo de fracassar”, argumenta Kuns.
Para a psicóloga, pessoas que são criadas em um modelo de moral religiosa rígida tendem a apenas reproduzir o que aprenderam ao longo da vida e não costumam dar abertura para o diálogo.  Quando o assunto é sexo, no entanto, é importante dar o primeiro passo, mas é preciso ter em mente que fechar os olhos para a realidade e deixar-se guiar pelas fantasias também pode ser frustrante, pois uma expectativa é criada e o parceiro nem sempre está na mesma sintonia.
“Eu, particularmente, não tenho essas fantasias de gostar de ver a mulher vestida de enfermeira ou algo parecido, por exemplo. Todas as vezes que tentaram fazer algo assim comigo, eu dei risada e virou uma cena mais engraçada do que erótica”, revela o ator Felipe Titto, que prefere não lidar com esse tipo de surpresa na cama.
Para Elisabete, o que Felipe sente é normal e deve ser respeitado. A melhor maneira de evitar essas cenas constrangedoras, como as que ele já viveu, é conversar e descobrir naturalmente o que o outro gosta. Isso tudo, é claro, leva tempo, mas poderá fazer um bem danado ao casal que colocar em prática.
“O que gera desejo em um, pode tornar-se aversivo para outro. Geralmente, no início de uma relação, as pessoas não tiveram tempo para estabelecer uma comunicação sexual a ponto de saber o que o outro realmente deseja”, afirma a expert, que emenda: “É fundamental aprender a falar sobre sexo sem rótulos.”
Em encontros casuais, por exemplo, não dá para exigir que o outro te conheça a ponto de saber o que pode excitar ou dar prazer. Agora, se a relação já está estabelecida, talvez seja o momento de abrir o jogo e entrar em um acordo sobre as preferências sexuais de ambos. As fantasias sexuais, segundo a especialista, só existem para somar em uma relação e devem ser colocadas em prática.
Além de ajudar o casal a descobrir novas sensações, esses desejos servem para expressar a criatividade e podem ajudar a apimentar relações que já caíram na rotina e estão precisando de um gás. “Quando são inseridas sem julgamentos, a relação tende a ter maior cumplicidade. Fantasiar não significa realizar, fantasia é uma forma de expressão sexual”, esclarece Elisabete.
Não há dúvidas de que o diálogo seja a melhor saída para resolver um problema. Neste caso delicado, porém, iniciar o assunto não é uma das tarefas mais fáceis, principalmente quando o relacionamento está no início. Elisabete afirma que é preciso estar seguro antes de colocar em prática algo que ainda não faz parte da rotina do casal, e uma boa maneira de despertar as fantasias é com a ajuda de filmes.
Se o seu parceiro gosta, procure filmes quentes e faça questão de comentar com ele as cenas que te deixam excitada. Além disso, você também pode buscar ajuda em livros, contos eróticos, reportagens que falem sobre sexo, fotos e até textos de peças de teatro. “Quando surgir alguma cena que excite essa mulher, sugiro que ela pergunte para o parceiro o que ele achou e expresse como se sentiu. Se ele não estiver receptivo, a dica é conversar sobre o que ele pensa, procurar esclarecer os medos, tirar todas as dúvidas dele", orienta Elisabete.
Agir com sinceridade e mostrar que também tem alguma insegurança, na visão da especialista, também tem chance de funcionar e é uma bela oportunidade para transformar a sua fantasia em uma fantasia conjunta. “É preciso dizer exatamente como se sente. Se a mulher disser: ‘Tenho vergonha, não estou acostumada a falar sobre isso, mas gostaria muito de fantasiar tal situação', e perguntar o que o parceiro acha, o casal pode começar a imaginar isso", explica.
Mulheres que fantasiam transar na praia, por exemplo, podem começar a falar sobre isso de forma simples e, aos poucos, o próprio imaginário tranportará ela e o parceiro para a praia. A dica da especialista é começar a falar do ambiente, pensar na brisa e no mar, na areia espalhada pelo corpo dos dois. Depois, é só se deixar levar e o fetiche, aos poucos, deixará de ser apenas da moça.
No caso de mulheres que percebem que mesmo colocando essas dicas em prática os parceiros não se mostram abertos para novas experiências, é importante não desistir ou sentir vergonha. A psicóloga acredita que tudo pode mudar de um dia para o outro. “Como a relação de intimidade é uma construção, o que hoje é difícil, em outro momento, com maior esclarecimento, pode ser bem-vindo”, garante ela.
Para Elisabete, todas as mulheres deveriam perder a timidez e colocar 
em prática o pensamento da sexóloga Helen Singer Kaplan, que diz que "tentar ser um amante eficiente para si e para o parceiro quando não existe comunicação é como tentar aprender a acertar na mira com os olhos vendados.”
Fonte: IG/ Delas

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