quinta-feira, 13 de setembro de 2018

Manejo de solo pode ampliar rendimento da pastagem em até 70%


Pasto pobre em nutrientes resulta em perda de peso do gado, sobretudo no período de seca, e, claro, menos rendimento financeiro à atividade pecuária.

Fabiano Bastos/Embrapa
Mas a boa notícia aos pecuaristas é que o manejo adequado do solo do pasto estimula a conversão alimentar do rebanho, provocando um verdadeiro boom na engorda.

As estimativas são de animar o mais conservador produtor: a aplicação de doses corretamente prescritas de calcário no pasto pode agregar 15 milhões de cabeças ao já campeão rebanho mato-grossense.

O Estado possui o mior rebanho de bovinos e bubalinos do país, figurando com mais de 30 milhões de cabeças, conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

No período de seca que prossegue nesta época do ano, a baixa disponibilidade e qualidade da forragem – planta utilizada como pastagem para o gado – exige atenção redobrada com o rebanho. No Cerrado, a espécie mais comum de forrageira é a “Brachiaria brizantha”, alimento a grande parte do rebanho bovino nacional.

No Cerrado, a tradicional braquiária, como é conhecida, enfrenta as adversidades impostas pela alta acidez desse tipo de solo, que sem o manejo adequado, acaba sendo sinônimo de baixa fertilidade.

Estudo desenvolvido por alunos da Universidade Estadual de Mato Grosso (Unemat) em Alta Floresta, sob supervisão do doutor em solos e nutrição de plantas Anderson Lange, comprova que o solo devidamente corrigido com calcário proporciona mais produtividade nas pastagens.

A calagem favorece o desenvolvimento da planta e induz a absorção dos nutrientes suplementados ao solo, além de garantir a manutenção da adubação a bom termo.

Grande parte do rebanho brasileiro é criada em pastagens, ou seja, de forma extensiva. O método é um dos mais econômicos para o pecuarista, mas exige cuidados extras para a preservação de taxas de rentabilidade mais positivas.

É o caso da adubação, técnica essencial à atividade no Cerrado, mas ainda pouco adotada por pecuaristas mato-grossenses.

“Impedir a degradação da pastagem traz lucro ao pecuarista. Ao auxiliar o viço do pasto com a aplicação de calcário à adubação, é possível perceber diretamente o benefício no desempenho da engorda dos animais (de corte ou de leite)”, destaca o pesquisador Anderson Lange.

O baixo custo do calcário gera uma resposta ainda melhor nas planilhas da atividade pecuária, tornando o insumo fundamental ao agregar uma série de benefícios ao empresário rural, incluindo a melhora no aumento do pH do solo, neutralização do alumínio tóxico e o fornecimento de cálcio e magnésio, minerais de suma importância à agricultura.

Sem a calagem adequada, a acidez do solo mitiga a absorção do fósforo pelas plantas, principal nutriente para o processo vital das forrageiras. O preço médio do calcário agrícola em Mato Grosso é de R$ 53,00 a tonelada.

Pesquisa

O experimento conduzido pela Unemat foi aplicado na Estância Pedra do Índio, em uma área de pastagem localizada a aproximadamente 10 quilômetros do município de Alta Floresta, às margens da MT-208.

Após análise do solo do local, verificou-se que o V% (saturação por base) estava muito aquém do que é considerado ideal para a cultura da braquiária, de 45%, comprovando a demanda premente por calcário.

Entre análises e cálculos, chegou-se à prescrição e aplicação de uma dose customizada de calcário de 1,6 tonelada por hectare de pasto.

Na área do experimento, o trabalho avaliou, ainda, a produtividade de massa verde (MV) e massa seca (MS) da pastagem, considerando a movimentação dos nutrientes e perfil do solo com auxílio de aplicação de doses crescentes de calcário, gesso agrícola e adubação com ‎nitrogênio, fósforo e potássio.

O trio de nutrientes, conhecido no universo agronômico pela sigla NPK, é importantíssimo ao desenvolvimento, crescimento, resistência e produtividade das plantas.

Conforme os relatos científicos, a soma de calcário ou gesso ao NPK resultou no aumento da produtividade de matéria verde e de matéria seca do capim, sendo que, dentre os tratamentos testados, a maior produtividade foi observada na aplicação de 3,2 toneladas de calcário por hectare.

Além disso, o fornecimento de adubação somado ao corretivo de acidez de solo ajuda na recuperação da pastagem, com registro de um verdadeiro salto da ordem de 50% da produtividade da área de pastagem objeto da pesquisa.

O pasto mais farto e nutritivo permite tanto a mais rápida engorda e reprodução quanto a inserção de mais reses no rebanho. Ambos os corretivos (calcário e gesso) aliados à adubação contribuíram para carrear mais cálcio e magnésio à braquiária.

Conforme o artigo “Renovação de pastagem degradada com calagem, adubação e leguminosa consorciada em Neossolo Quartzarênico”, publicado pelo Centro de Pesquisa e Capacitação da Agência de Desenvolvimento Agrário e Extensão Rural de Mato Grosso do Sul e também utilizado como referência na pesquisa empreendida pela Unemat, quando se soma calcário mais fósforo e potássio, esse mix estimula um rendimento até 70% superior das pastagens.

Os pesquisadores observam que a quantidade ideal de calagem a ser aplicada carece de coleta de amostras específicas e análise feita em cada propriedade.

Gigantes da Pecuária

MT detém o maior rebanho bovino do país (cerca de 30 milhões de cabeças). Conheça os campões municipais em produção no Estado:

Cáceres: 1.086.660 cabeças

Vila Bela da Santíssima Trindade: 994.166

Juara: 989.882

Alta Floresta: 780.526

Juína: 752.380

Fonte: Indea-MT